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Se você quer apenas o resumo, aqui está o que precisa saber:
- Os créditos de IBS e CBS poderão reduzir o imposto devido em determinadas situações previstas na legislação.
- Nem toda compra gera crédito.
- Empresas prestadoras de serviços costumam ter uma estrutura de custos diferente da indústria e do comércio, por isso esse assunto recebe tanta atenção.
- O impacto será diferente para cada empresa.
- Antes de concluir que sua carga tributária aumentará ou diminuirá, é necessário analisar a realidade do seu negócio.
“Todo mundo fala em crédito. Mas crédito de quê?”
Quando a Reforma Tributária começou a ganhar espaço nas notícias, uma expressão passou a aparecer com frequência:
“Agora será possível aproveitar créditos.”
Para quem não trabalha com contabilidade, essa frase costuma gerar duas interpretações.
A primeira é imaginar que o governo devolverá dinheiro para as empresas.
A segunda é acreditar que todos pagarão menos impostos.
Na prática, nenhuma dessas conclusões está totalmente correta.
Vamos entender o motivo.
O que significa “aproveitar créditos”?
Imagine que sua empresa compra um computador para uso exclusivo no escritório.
Ou contrata um software essencial para prestar seus serviços.
Ou adquire equipamentos necessários para desenvolver sua atividade.
Dependendo das regras aplicáveis, parte do imposto incidente nessas aquisições poderá ser considerada na apuração dos novos tributos.
É isso que, de forma simplificada, chamamos de crédito.
Perceba que não estamos falando de um desconto comercial nem de um depósito feito pelo governo.
Estamos falando de um mecanismo previsto no sistema tributário para evitar que determinados tributos incidam repetidamente ao longo da cadeia econômica.
Então toda compra gera crédito?
Não.
Esse é um dos maiores equívocos sobre a Reforma Tributária.
Nem toda despesa da empresa gerará crédito.
A legislação estabelece critérios para definir quais operações podem gerar esse aproveitamento.
Por isso, não basta guardar todas as notas fiscais esperando que elas reduzam automaticamente os impostos.
Cada situação deve ser analisada conforme as regras aplicáveis.
Por que esse assunto preocupa tanto as empresas de serviços?
Porque empresas prestadoras de serviços costumam funcionar de forma diferente de uma indústria.
Vamos comparar dois exemplos.
Uma fábrica compra matéria-prima, embalagens, peças, componentes e diversos insumos para fabricar um produto.
Já um escritório de arquitetura, uma empresa de consultoria ou uma clínica normalmente têm outra realidade.
Grande parte do valor entregue ao cliente está relacionada ao conhecimento da equipe, à mão de obra especializada e à experiência dos profissionais.
Isso significa que, muitas vezes, sua estrutura de compras é diferente.
E é justamente por isso que tantos especialistas discutem os impactos da Reforma Tributária sobre o setor de serviços.
Isso significa que toda empresa de serviços pagará mais imposto?
Não.
Essa é uma conclusão precipitada.
Embora algumas atividades possam sentir impactos diferentes, não existe uma resposta única para todas as empresas.
O resultado depende de diversos fatores, como:
- atividade exercida;
- regime tributário;
- estrutura de custos;
- despesas operacionais;
- tratamentos diferenciados previstos na legislação;
- forma como a empresa organiza suas operações.
É por isso que comparar a realidade de empresas diferentes quase nunca funciona.
Exemplo prático
Imagine duas empresas de tecnologia.
A primeira desenvolve softwares utilizando uma equipe própria de programadores.
A segunda terceiriza boa parte do desenvolvimento e investe constantemente em infraestrutura tecnológica.
Mesmo atuando no mesmo segmento, a estrutura de custos das duas é diferente.
Consequentemente, a análise dos impactos da Reforma Tributária também será diferente.
É esse o motivo pelo qual generalizações costumam gerar mais confusão do que informação.
O crédito será automático?
Na prática, a tendência é que os sistemas fiscais façam grande parte desse controle.
O empresário não precisará calcular crédito por crédito manualmente.
Mas existe um ponto importante.
Para que os sistemas funcionem corretamente, a empresa precisará manter seus processos organizados.
Cadastro de fornecedores, documentos fiscais, controle financeiro e emissão correta de notas continuarão sendo fundamentais.
O que muda para o empresário?
Talvez a maior mudança não seja tributária.
Seja de gestão.
Empresas que conhecem seus custos, organizam documentos e acompanham seus indicadores terão muito mais facilidade para entender os impactos da Reforma.
Por outro lado, empresas que não possuem controles financeiros poderão encontrar mais dificuldades para avaliar seus resultados.
A Reforma Tributária reforça uma necessidade que já existia: administrar a empresa com base em informações, não em suposições.

Erro comum
Acreditar que crédito significa economia garantida.
Na verdade, o aproveitamento depende das regras aplicáveis e da realidade de cada empresa.
Tomar decisões baseadas apenas em notícias ou vídeos curtos pode gerar expectativas que não correspondem ao funcionamento da legislação.
Então, na prática…
Se você é prestador de serviços, não precisa ficar tentando descobrir sozinho quanto terá de crédito.
O melhor caminho é fortalecer a gestão da empresa.
Conheça seus custos.
Organize suas despesas.
Mantenha seus documentos em ordem.
Essas atitudes serão importantes independentemente da forma como a legislação evoluir.
O que fazer agora?
Enquanto a Reforma Tributária continua sendo implantada, vale a pena aproveitar este momento para:
- revisar os custos da empresa;
- manter a documentação organizada;
- utilizar sistemas de gestão atualizados;
- acompanhar conteúdos confiáveis;
- conversar periodicamente com sua contabilidade sobre os impactos específicos para o seu negócio.

Perguntas frequentes
O que é crédito de IBS e CBS?
É o aproveitamento permitido pela legislação de parte dos tributos incidentes em determinadas operações para apuração dos novos tributos.
Toda compra gera crédito?
Não. Apenas as situações previstas na legislação.
Empresas prestadoras de serviços terão menos créditos?
Depende da estrutura de custos de cada empresa e das regras aplicáveis ao seu caso.
Vale a pena mudar alguma coisa agora?
Na maioria dos casos, o mais importante é fortalecer a organização financeira e acompanhar a implantação da Reforma Tributária.
Resumo da Rapport
O debate sobre créditos de IBS e CBS não existe porque a legislação ficou mais complicada.
Ele existe porque cada empresa possui uma realidade diferente.
Quanto melhor você conhecer a estrutura do seu negócio, mais preparado estará para entender como a Reforma Tributária impacta a sua empresa.
Um café e uma conversa resolvem muita coisa
Quando surgem mudanças importantes na legislação, é natural aparecerem dúvidas.
Mas boas decisões raramente são tomadas com base em manchetes.
Na Rapport, acreditamos que explicar os assuntos de forma simples ajuda empresários a enxergar oportunidades, evitar decisões precipitadas e administrar seus negócios com mais segurança.
No próximo artigo da série, vamos responder uma das perguntas mais pesquisadas no Google: o Simples Nacional vai acabar com a Reforma Tributária?


